terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

VI- AMORES-PERFEITOS

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca



Naquele recanto matizado de paz e flores, cabelos suaves moldando o vento ela brinca! Colhe flores, vê a vida rumorejar. (Parecem-me malmequeres, margaridas, tulipas?!)
À beira do vento, suavemente em paz, damos as mãos (macias, pequenas as tuas) e olhamos.
Como está feliz….uma borboleta branca voa à sua volta.
Entardecendo silenciosos, ouvimos os nossos corações a respirar no opaco entardecer daquele fim de dia. Suavemente também, uns fios brancos navegam no calmo oceano louro do teu cabelo. Enternecidos os meus escutam o teu doce navegar.
Amo-te.
Nunca te ofereci rosas (ela brinca nas flores, margaridas?) nem flores bonitas. Nunca te fiz um poema, nem te levei a jantar a restaurantes onde as velas tremessem com o respirar da nossa paixão. Nunca te comprei aquele vestido vermelho com que ofuscasses o sol. Nunca.
Nunca te escrevi uma carta de amor, nunca me ajoelhei aos teus pés cantando hinos de amor. Nunca.
Nunca te levei àquele concerto, nunca fomos ver aquele quadro famoso, aquela ópera, aquele bailado….
Ela brinca suave. Pelo canto do olho espreita-nos. Colhe flores. (malmequeres, tulipas, cravos?!) Nunca….
Aperto-te a mão com mais força. Olho-te nos olhos. Olhas para mim sorrindo.
Amo-te! Os teus olhos são verdes, lindos…têm flores, (malmequeres?) poemas escondidos, borboletas brancas a esvoaçar.
Ela salta feliz, aproxima-se. Olha-nos, vê as nossas mãos apertadas sorri. Salta.
Não falamos não é preciso. Sinto a tua mão na minha…doce, quente!
Olhas-me e eu sei tudo. Olho-te e sei que sabes tudo...
Ele está ali. O poema que não te escrevi, as flores que não colhi para te oferecer, as velas tremendo com o calor da nossa paixão, o grito de amor, a tela mais bela, a mais bela melodia, o melhor tango.
O sorriso mais puro. O mais doce. A vida rumorejando.
Amo-te e tu sabes! Sabes que como o poema diz, continuas a ser alma e sangue e vida em mim, que continuo a amar-te perdidamente, perdidamente. Sabes que em fundo continua a mesma música, a mesma Ave-Maria de Schubert, no meio dela a mesma frase: Até que a morte os separe.
Até ao fim perdidamente,
Aproxima-se feliz, suave e docinha pega-nos nas mãos (rudes grandes, desajeitadas as minhas) e em cada uma deixa uma flor:
Amores-perfeitos!

20 comentários:

Divinius disse...

Gostei de ler:)
A LUZ QUE TE DEIXO É DA COR DA MINHA VIDA...)

Maria disse...

Que texto lindo.....
Quando as mãos ficam assim, apertadas, quando o amor se sente, não faz falta mais nada..... talvez só mesmo uma mão pequenina com dois amores perfeitos....

Beijo

elvira carvalho disse...

A cumplicidade de quem ama, não precisa palavras. Um suave roçar de mãos, um longo olhar, um suspiro, tudo vale pelo mais inflamado poema.
Um texto muito bonito.
Um abraço

Dulce disse...

Em doces palavras desenhaste o Amor.
Beijos.

Carmim disse...

Por coincidência, ou não, cheguei aqui no dia de hoje em que esse texto não podia ser mais pertinente.
Maravilhoso!

Beijo.

www.omeugirassol.blogspot.com
www.vivovermelho.blogspot.com

Sophiamar disse...

Em dia de S. Valentima as palavras-perfeitas. Todos os dias, sentidas, vividas, perfumadas. É o amor. É amar perdidamente. Até ao fim.

Beijinhosssssss com amizade

amigona avó e a neta princesa disse...

Lindo, amigo! Lindo!!!
Hoje é dia de aniversário! Aceitas uma fatia de bolo?! Beijinhos grandes, meu querido ...

Um Momento disse...

Belo...
Sentir as mãos ...o coração...

Beijo...

(*)

Sophiamar disse...

Parabéns, Vítor! Que as tuas meninas se desenvolvam bem e cresçam rodeadas desse cheiros das nossas flores serranas, do ar puro da nossa serra, embaladas agora pelo som dos passarinhos que já começam a anunciar a Primavera.

Em breve, espero dar-te uma notícia semelhante. Ela vem por aí.


Um dia, amigo/ mano/ conterrâneo serás avô. Os amores-perfeitos ficarão ainda mais perfeitos e perfumados.

Beijinhosssssssss

Leonor disse...

é um texto muito bem escrito de uma exposição simples que me prendeu.
beijinhos

Gata Verde disse...

Adorei o teu poema...lindo caso de amor!

Beijinhos
e boa semana

Bichodeconta disse...

De repente fiquei com uma inveja no bom sentido, claro..Porque ninguém escreve para mim com esta força, com esta sensibilidade..Lindo mesmo, parabéns.. Um abraço, ell

Sophiamar disse...

A manh� vai chegando, j� ou�o um passarito aqui e ali, as flores deixam que o seu aroma chegue at� onde me encontro e daqui envio-te beijinhos para ti e para os teus amores-perfeitos.

Tem um bom dia! Que as tuas pequeninas estejam bem.

Beijinhossssss

Leonor disse...

oh!
apanhaste-me de surpresa. vinha agradecer-te, lendo uma coisa tua mas ainda nao ha nada. eu compreendo. escrever por escrever nao. apenas quando ha motivo.
beijinhos

António disse...

Uma escrita soberba ao serviço do amor.

Abraço

Sophiamar disse...

Bom Domingo, amigo! Que se passa com as tuas parcas palavras. � s� falta de tempo ou anda por a� alguma pequena tristeza. Estou aqui.

Beijinhossssssss

Sophiamar disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sophiamar disse...

Amigo

Proponho-te um desafio, Estou a avisar-te de véspera. Escrever um post onde destacas doze palavras que são importantes na tua vida. Doze palavras integradas num texto, feito com criatividade,que não te falta, onde deixes perpassar parte daquilo que és.
Pode ser?

Beijinhossssss

Maria Dias disse...

...Sei bem o que é olhar para o outro e já saber o que o outro quer dizer sem nem uma palavra. Isso se chama cumplicidade.Os anos fazem isso...
Parabéns pelo conto!!

Abraço

Bichodeconta disse...

Como uma tela pintada com suavidade assim está este texto magnifico..A força da palavras ao serviço do amor..Um abraço, ell