segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Obrigado, Obrigado...





A todos os que adquiriram o meu livro deixo o meu sincero obrigado. Espero que tenham gostado do mesmo.
Já tive oportunidade de receber alguns comentários sobre o mesmo. Todos gostaram do que leram e todos me deram uma opinião muito sentida sobre a maioria dos textos. Todos mesmo, todos sem excepção.
Ontem recebi pessoalmente o texto que abaixo transcrevo. Cheio de emoção e de afecto.
Fiquei feliz, ficámos felizes. Ficámos comovidos.
O que escreveste são pétalas que o teu coração perfumou.
Obrigado Epifania!


Pequena análise do teu livro”

“Vitor, foi com alegria misturada com tristeza, saudade e umas lágrimas a quererem sempre saltar dos olhos que iniciei a leitura do teu livro.
Já o título me comove. As palavras do Presidente, o prefácio da Isabel Maria também.
Quero absorver todas as palavras e ir até onde a sua magnífica imaginação e seu coração bondoso e humilde me levarem.
Como mãe da Dina não posso deixar de agradecer-lhe o nome dela neste livro, apesar de nunca a ter conhecido (julgo que não?) Olho à capa e numa rosa vejo logo o rosto dela.
Como é sentimental! E como me identifico em algumas coisas com o Vitor. Também tenho correntes presas ao passado. Adorei as frases “ Tenho a chave que abre mas nunca entro. Lá de dentro um cheiro intenso a flores, segue-me, persegue-me, chama-me e protege-me! Ao lado num pequeno poial em pedra costumo deixar as flores…para as flores! Para eles.”
Conheci tudo o que se refere na infância e adolescência sobre os trabalhos campestres e afazeres domésticos. Também fui sócia da Biblioteca Itinerante embora lesse menos número de obras. Como sempre adorei escrever, desde que me conheço que tenho alguma coisa escrita (mal escrita!) Recordo-me que já redigi algo sobre essa Biblioteca cinzenta que balançava quando estavam duas ou três pessoas no seu interior. E conheci bem os dois senhores, homens finos, cultos, um recordo que se chamava Camacho.
A escola Afonso III apenas a conheci na época de exames. Fui do tempo em que os alunos do Ciclo Preparatório (Antigo 2º ano) do Externato de S.Brás de Alportel faziam as provas finais lá. Até a Escola Técnica de Tavira o fazia.
O Liceu João de Deus também me teve como aluna, infelizmente só por um ano. A distância e a falta de meios de transporte fizeram-me desanimar e desistir. Atitude que deixou meu pai triste. Ele desejava ver a filha com mais estudos, bem empregada…como hoje o compreendo! E quanto se orgulharia na Dorinha que teve mais juízo do que a mãe!
Continuando, esse contacto com a natureza, com os cheiros, as cores, os sons, também os aprecio, sinto, recordo-os e trago-os sempre no sentido. Ó Vitor apetece-me dizer com toda a minha pequenez e humildade: Deus deu-nos uns olhos que alcançam mais longe. Que vêem, o que está escondido dentro das coisas e das pessoas. O que mais me encanta na sua escrita é a sua descrição e mesmo paixão por um passado que tal como eu, não conseguiu suster, agarrar. Há em si um saudosismo enorme! A história da sua família, dos seus antecedentes foi muito interessante. Também eu adoro ir para trás no tempo. Fi-lo pesquisando horas e horas, dias e dias durante meses quando tive todos os livros paroquiais existentes de 1865 a 1948. Passei para cadernos, os nascimentos, casamentos e óbitos embora abreviasse muita coisa.
Essa do Jornal do dia do nascimento da Cinara foi um interessante pensamento. E mais uma vez as lágrimas teimaram em sair mas evito molhar o livro que afinal é mais da Dorinha do que meu e ela ainda não o leu. Até porque a visão vai sendo fraca, apesar de pôr óculos, tenho-o um pouco distante. Molhar o seu livro com as minhas lágrimas não quero! Possivelmente por ser a primeira vez que leio uma obra em que conheço tão bem o autor, parte da história, e das personagens, fazem-me ficar mais atenta e comovida. Conheço a Fernanda desde menina de escola primária. Vi-a crescer, fazer-se mulher. À Cinara ainda melhor. Sempre a conheci. Ainda me lembro um Domingo de mercado, quando eles eram dentro da aldeia, a Fernanda tinha uma barriguinha de uns cinco seis meses e escolhia numa tenda, junto à casa de Nossa Sr.ª das Dores( onde põem a mesa das festas) uma bandelete de bebé com um lacinho. A rapariga dessa barraca (Ilda) já faleceu, eram de S.Brás e agora é o marido que vende. Costumavam ter bonitos acessórios para recém-nascidos. Eu tinha a Dorinha comigo, ela teria uns nove anos mas reparou e disse-me.
-Deve ser uma menina senão a mãe não comprava um lacinho para o cabelo.
Achei imensa piada por ela estar a reparar.
Depois chegou a pequena Cinara e a minha menina já louca por crianças pedia-me quase todos os dias para a ir ver, e brincar com a pequenina. Fê-lo durante muito tempo. Contava-me como ela se desenvolvia, como já queria escrever, como era inteligente e já conhecia as letras para aí aos 2 ou 3 anos. De longe mas perto, vi-a crescer por isso emociono-me e o raio das lágrimas vêm por tudo e por nada.
“Foi Deus” para mim, se desse pontuação esse texto teria a nota máxima.
“ No Natal eu vou chorar” também fez-me chorar. Infelizmente sei o que é perder um pai e o meu foi tão cedo. Tinha 21 e ele 46 anos quando sucedeu.
A minha alma entende a “tua” (sua seria melhor, tenho dificuldade, não sei se tratar o Vitor, por tu, se por você, como é mais novo teria sentido levá-lo por tu mas o convívio é pouco e dá-se este dilema) porque sente da mesma maneira. Fazemos parte de um mundo de pessoas diferentes que vêem tudo com o coração. E foi o texto “Sem pressa” que me fez pensar assim.
É lindo o poema à Fernanda! Que o vosso amor se mantenha sempre assim, tão vivo é o que desejo. Ela teve muita sorte por Deus ter-lhe oferecido um marido “tão especial”.
Achei muita piada no seu “Elas”. Não é assim tão tosco, nem seria necessário rebaixar-se tanto para enaltecer as mulheres. Ri um pouco! Também tem sentido de humor quando quer. E obrigada na parte que me toca pelo facto de ser mulher.
Quanta ternura Vitor! E que saudade nesses pequenos passarinhos com olhos feitos de sementes de alfarroba!!!
Estou a adorar o seu livro porque faz-me vibrar, sorrir, chorar. Tudo ao mesmo tempo! Tem sentimentos! Essa cruz na porta do forno, essas rezas tenho-as na ideia e no papel feito à minha maneira de sentir. Os meus mortos também me ajudam e do céu enviam-me o carinho que às vezes aqui me falta.
São Poemas! Não quase.
O provérbio filho de peixe sabe nadar adequa-se à Cinara. Puxou a linha do papá como a avó Salomé diz! E parabéns a ela. Quem aos treze anos escreve assim como escreverá aos 18,20,30,40…anos? Temos aqui uma poetiza! Quem sabe se daqui a anos não será famosa e o seu nome se destacará? Desejo tudo de bom para ela. Muito sucesso na escola e pela vida fora, mas principalmente que saiba sempre diferenciar o que está certo do que está errado e que se reja pelos princípios do bem. Achei admiração como o poder do amarelo tem tanta influência no Vitor. A tal bola amarela…
Conheci esses meninos quase todos dos “Meninos com Dedinhos de Pauzinhos de Giz”. Se não estou enganada e decorreram já tantos anos, a Ana Lúcia era irmã da Sara. Tinham grandes olhos negros e um ou outro sinal escuro no rosto (sardas) Nas férias trocava correspondência com elas. Telefonava-lhes. Contactava-mos todos os dias em tempos de escola. Elas almoçavam no refeitório com os meninos de longe: S.Romão, Corotelo, Vilarinhos.Os alunos de Santa Catarina também comiam lá do que trazíamos de casa. A professora Zézinha orientava os mais pequeninos. Aquecia-lhes a comida num pequeno fogão a álcool. Convivíamos todas, tornávamo-nos amigas. A Luísa, a Teodora, a Eleutéria. Todos esses nomes fizeram-me regressar a esses tempos. Da Marinel estava esquecida mas o nome foi suficiente para o cérebro enviar-me o rosto dela, com o cabelo claro aos caracóis e feições muito perfeitinhas. A Salomé (se for a mesma) parece-me que era Salomé Rosa; passou férias na minha casa uma semana quando eu tinha 16 e ela uns treze anos. Foi num verão por ocasião das Festas do Largo. Os pais vieram cá à festa e um irmão, o Fernando. Dela conheci a família quase toda. Uma prima mulher de um pirotécnico que mais tarde veio a falecer vítima dos foguetes. O irmão desta, o Rogério Contreiras (não sei se é da família do Vitor!) O mundo é pequeno! Todos somos conhecidos afinal.
Eu pessoalmente gosto mais de escrever sobre factos verídicos do que sobre ficção. Acho que não tenho grande imaginação. É engraçado como o cheiro pode trazer-nos lembranças! E pronto. Parabéns ao Vitor por ser tão sensível, presentear-nos com este livro que nos deu muito prazer a ler. Que bom seria que toda a gente fosse parecida consigo. A sua escrita tem energia, movimento, acção. Não é por acaso que escreve fluentemente e transmite tão bem os seus estados de alma.
Ambos temos as asas do nosso anjo a proteger-nos. O Pedro e a Dina. Eles lá gozarão uma Felicidade nunca inferior à que lhes seria dado gozarem aqui. Assim penso! No final todos estaremos unidos. Eles avançaram mais depressa. Todos lá chegaremos embora com menor qualidade e talvez com mais sofrimento.
Fico feliz por se reger pelos princípios que eu procuro seguir: Amor à família (viva ou morta), carinho pelas lembranças infantis, juvenis…contudo temos todos pés de barro, pecamos e somos imperfeitos.
Os livros ensinam-nos muitas coisas. O seu não é excepção. Continue a escrever porque tem muito valor. E claro que os “Meninos Nunca Morrem”. Há quase dezanove anos que grito essa mensagem para todos, por essas ou por outras palavras. Uns concordam comigo, outros coitados sinto pena deles.
Esqueci-me de falar no poema “Solidão” onde me identifico muito com o Vitor. Tantas vezes escrevi parecido; eu nada sou…eu nada faço…! Aquelas frases que chegam naqueles momentos em que estamos mais deprimidos, mais tristes.
Agora sim vou terminar. Peço desculpa porque eu “falo muito escrevendo, mais do que falando”.



Obrigado, Obrigado Epifânia
vitor barros

10 comentários:

super lotto results disse...

i'm also into those things. care to give some advice?

Anônimo disse...

Hoje encontrei este Blog por acaso . A apresentação chamou a minha atenção com excertos do meu livro favorito: "Cem Anos de Solidão" de Gabiel Garcia Márquez!
Além disso, o nome do Blog: Cem Textos de Solidão... É que eu sinto-me precisamente muito só! Gosto de escrever também, para exorcisar os meus fantasmas... Este Blog já está nos meus Favoritos. Vai ser o meu refúgio quando me sentir só...
Alma Errante

Maria disse...

Ainda não li o livro, Vitor, apenas dei uma vista de olhos. Ainda não chegou para mim o tempo de o ler.
Tenho de, primeiro, digerir a idéia. Sei que me percebes...

Um abraço

Maria disse...

Vitor

Vi agora o teu comentário lá.
Pelo que li do texto da Epifania (porque também não consegui lê-lo todo, acho que são dias e hoje é dia não...) percebi que havia uma grande proximidade com o que escreveste. Ahgora percebi melhor.
Prometo que quando o ler te mando um mail, nem que seja só com uma frase, mas onde estará todo o sentimento que me provocou, que já está a provocar só de o abrir...

Deixo-te um beijo, e muito obrigada

Sophiamar disse...

Vítor, Mano Adoptivo, Amigo

Li o comentário da Epifânia, a mãe da Dora e da Dina, e fiquei emocionada.Não podemos mesmo ficar indiferentes a este post.E quem te conhece pessoalmente comove-se obrigatoriamente porque o tecido de que és feito não é vulgar nos dias de hoje. És um homem de afectos. Pela família, pelos amigos, pelos conhecidos.
Conhecer-te foi um privilégio. Admiro a tua humildade,a tua honestidade, a tua simpatia, a tua bondade...
Voltarei a comentar detalhadamente este post. Não posso ficar por aqui.

Bem hajas, Vítor! Conhecer-te foi um prazer. Muito grande. E conhecer a Fernanda e a Cinara não o foi menor.
Obrigada, amigo!

Bem hajas!

p.s. Quanto ao livro, li-o todo. De fio a pavio. Duas vezes. Gostei muito.

Dn disse...

Xiii a minha mãe tava mesmo inspirada... bem que ela escrevia imenso enquanto devorava o livro...

Eu axo k ela tambem tem muito jeito para escrever, mas sou suspeita pa falar =)...

Obrigada por tudo nós....

Epifânia disse...

A Vida é uma Grande Escadaria

A mocidade passou. As recordações ficaram. É só fechar os olhos e a minha vida roda como um filme. Um filme a cores daqueles de príncipes e princesas. Anjos bons e demónios. Tantos personagens participaram nesta metragem. Belos cenários, episódios, cenas giram: Festas, aulas, brincadeiras…
E nos maus momentos também, Risos e Choros. Concluo que a vida é uma aprendizagem continua. Dia a dia vai-se subindo de degrau. Em cada um encontramos alguém dando-nos a mão e muita força.
Desde pequena segui com a ajuda dos meus pais, avós, padrinhos, tios, professores… todos aqueles que me amavam. Se tropeçava lá estavam levantando-me. Cuidando de mim. Ensinando como devia andar. O que estava certo e errado. Como criança dócil poucas vezes desobedecia.
Ao longo dessa grande caminhada, muitos amigos apareceram para tornar a caminhada menos árdua. E foram tantos! Alguns permaneceram a meu lado até hoje. Outros ficaram parados nalgum patamar. As asas do destino ou não sei o quê separaram-nos. Bastantes tombaram para sempre desses degraus. Nunca mais os vi. Aqueles que mais me ampararam, não estão ao meu redor. Olho para a direita, para a esquerda, para trás e não os vejo na escada da vida. Só em sonhos me visitam. Fico tão alegre e satisfeita ao ouvir suas vozes! Depois resto triste por apenas os poder contemplar nas minhas noites, não nos meus dias.
E continuo subindo. Os meus olhos não conseguem alcançar o fim dessa escadaria. Não sei se falta muito percurso para terminar este passeio. Ás vezes sinto-me cansada! Apetece-me descansar. Noutras surge a força e a alegria suficientes para continuar.
Costumo dizer que a vida corre como um fio de água num regato, desliza sem sentirmos. Com as noites uns dias morrem, com as manhãs outros nascem. E cada um é uma surpresa. De vez em quando Deus (através de outras mãos) premeia-me com uns laivos de felicidade para que este coração saltite, regozije-se um pouco.
Há pouco tempo, num desses degraus da grande escadaria da vida apareceu uma mão amiga com um livro de título “Os Meninos Nunca Morrem” lá dentro, um nome que tanto amo!! O autor transmitiu-me luz. As flores desabrocham com o dia, com o sol (fecham-se com a noite e escuridão). Abri-me com a claridade, dei-me a conhecer um pouco e hoje tive uma surpresa! Vi o meu desabafo, um texto tão grande (na net?) (no seu blog?). que paciência teve a transcrevê-lo! Fiquei admirada mas contente. Contente por várias pessoas saberem que existiu uma menina amorosa chamada Dina e que o seu amor por nós (pais, irmã, avós) era tanto que ainda hoje do céu me envia amigos.
Obrigada Vítor por ajudar a manter viva a memória da minha filha.

Epifânia Palindra

Kok disse...

Olá Vitor! Tenho de confessar-te que ainda não tive oportunidade de ler o teu livro; não por falta de vontade mas devido às férias de colegas que diminuiem o meu tempo livre! Mas voltarei para te dar a minha opinião (como se isso importe para a rotação do globo).
Todavia quero dizer-te que sinto cada vez mais vontade de o ler, pois os comentários aqui deixados (claro que sobretudo o da Epifânia, que é sublime), espicassam a minha vontade.
Como faço aos meus amigos virtuais, deixo-te akele abraço, pah!

Cristina disse...

Olá Vitor... estava mais do que na altura de responder ao teu regresso e ao teu livro (que ainda não li, por manifesta falta de tempo).

Fiquei mesmo muito contente por saber que já tinhas publicado. Sempre admirei a forma como dispunhas cada palavra e cada sentimento.

Parabéns! E um beijinho!

elvira carvalho disse...

Fiquei emocionada com o comentário da Epifânea. Porque ela escreve o que sentimos ao ler o livro e não conseguimos expressar.
Um abraço